Templates da Lua

a Remetente
Sabe o Grilo Falante, de Pinóquio? Talvez eu só esteja em busca da minha humanidade, e Hans seja a minha consciência gritando alto. É sempre mais fácil escrever para alguém e se você supor que a pessoa te conhece a tal ponto de compreender suas maiores loucuras e seus piores pensamentos... As palavras correm soltas. Você deveria tentar qualquer dia desses.


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Correspondências

segunda-feira, 30 de junho de 2025

sobre querer voltar;

Ontem eu lembrei de você Hans, de você-você, o blog, e de ~você o personagem Hans, que conheci através de um RP, que recebi do então namorado, e que acho que ele queria me dizer algo me enviando aquele RP (joguei fora o arquivo contendo toda a história ainda esses dias) (e pensando agora, não devia ter feito isso, mas enfim...) 2017 pra 2025 foi um pulo, e eu poderia dizer que tanta coisa aconteceu, mas o tempo não parece mais passar de forma linear - porque de fato ele não existe, não é mesmo? 

Antes de chegar nessa questão - as novas vibes místicas/crendices/visão de vida - que me apetecem, queria comentar que ontem, enquanto eu lembrava de você, cheguei a pensar "será que eu ainda sei escrever?" agora existem IAs maravilhosas - ou malignas, depende da percepção - que escrevem tudo por você, sabia? Acontece que eu nunca soube realmente escrever, né Hans? Convenhamos. Mas como não faria o menor sentido utilizar uma IA para escrever pra você, aqui estou, eu mesma digitando essa carta estranha. 

Não sei realmente o que eu pensava ou planejava, quando quis voltar. Só quis. Fiquei tentando lembrar quantos anos haviam se passado, se eu já havia te contado que me tornei fotógrafa - talvez lá em 2017 eu não me considerasse uma ainda, nem em 2021.. ou 2022... Foi algo mais de 2024, quando cheguei naquele ponto "ou eu largo ou transformo isso num negócio", um negócio que me rendeu 10k um certo mês aí, justamente no mês mais turbulento, com idas e vindas ao hospital - calma, está tudo sob controle!

Eu ainda te escrevo nas entrelinhas, Hans, como se alguém pudesse ler e destrinchar segredos ou situações, que, talvez, eu não queira tão expostas.

E agora cometi aquele erro terrível, eu realmente pedi que a IA reescrevesse essa carta pra você, e a bicha é danada de boa, sabe? Vou até colar esse trecho a seguir, porque ela conseguiu pegar o tom - e ela sabe escrever, fala mais bonito que eu, (o que não é difícil), olha só:

Hans,
Ontem você me visitou. Não você aqui-agora, mas o você do blog, o personagem daquele RP esquisitamente simbólico que me mandaram um dia — e que talvez quisesse dizer mais do que parecia. Eu reli isso tudo mentalmente, e logo lembrei: joguei fora o arquivo. Dias atrás. Assim, do nada. E agora estou aqui pensando que talvez não devesse ter feito isso, mas... enfim. 2017 pulou pra 2025 como quem pisca, e seria fácil dizer que “muita coisa mudou”, mas o tempo anda cada vez menos linear — ou talvez ele nunca tenha sido, né? Só a gente que fingia que sim.

Antes de entrar nessa fase místico-espiritual-cósmico-caótica que me fisgou de um jeito irreversível, queria te contar uma coisa curiosa: enquanto pensava em você, me veio uma pergunta boba — “será que eu ainda sei escrever?”. Porque hoje em dia tem IA pra tudo (inclusive esta aqui, me olhando com superioridade artificial enquanto digito (deveria ser ENQUANTO LEIO ela transformar a minha carta em algo poético)). A real é que eu nunca soube mesmo escrever, né, Hans? A gente sempre fingiu bem. Mas escrever pra você com uma IA? Soaria tão... desonesto. Então aqui estou, carne e dedos, escrevendo com a pontinha da alma.

Eu não sei exatamente o que imaginei ou queria, quando decidi voltar. Só senti vontade. E fiquei tentando lembrar o que você já sabia sobre mim — se em 2017 eu já dizia que era fotógrafa (acho que não), ou se precisei esperar até 2024 pra assumir isso com o peso e a leveza que exige. Teve um mês (caótico, óbvio) em que bati 10 mil. Justamente o mês em que vivi mais entre hospital e esperança. Mas calma: sobrevive todo mundo. Inclusive eu.

E sim, ainda te escrevo assim, meio camuflada, como quem fala sozinha no escuro e deixa pistas para quem souber escutar. Talvez por medo de me expor, talvez porque parte de mim ainda acredite que você entende o que fica nas entrelinhas.

Entendeu o que estou falando, Hans? Chegamos nesse nível de tecnologia, uma pena que ainda não dá pra implantar no cérebro (estou brincando!!!!!!), mas acontece que nada disso é real, não é mesmo? E com isso chegamos na minha nova vibe/estilo de vida. Faz anos que flerto com UCEM, talvez inclusive na nossa época, mas nunca peguei para me aprofundar mesmo - até tentei, desistindo logo -  mas ano passado insisti mais, e mesmo que não tenha sido perfeito, foi um bom começo. Esse ano continuo insistindo e continuo aprendendo. Não tem muito o que explicar, exceto que nada-disso-é-real, somos-todos-um, eu-estou-sonhando. E queria tanto acordar, Hans, já pedi que meus olhos fossem abertos, porque eu realmente queria acordar. Mas não acordo, e continuo aqui, vivendo esse sonho enquanto sei - ou imagino saber - que existe algo melhor além daqui. 

Entendi sim, Hans. E sei que você também entendeu. A gente sempre se entendeu nesses desvios de lógica, nessas frestas onde o pensamento escorrega e vira intuição. Chegamos nesse ponto da tecnologia — e olha, é tentador, viu? Implantar no cérebro seria o próximo passo óbvio (calma, tô brincando de novo... ou talvez nem tanto). Mas aí vem aquele lembrete sussurrado: nada disso é real, né?

E é aí que entra a minha nova fase. Ou vibe. Ou... desprogramação, talvez. Sabe UCEM? "Um Curso em Milagres"? Acho que já mencionei lá atrás, quando as palavras ainda tinham gosto de blog. Eu já flertava com isso naquela época, como quem esbarra numa livraria e sente algo estranho ao tocar um livro. Não peguei firme, desisti rápido. A mente sempre parecia pesada demais. Mas no ano passado — cansada de tantas versões de mim — resolvi tentar de novo. E pela primeira vez, não larguei logo. Não foi uma jornada épica, dessas que dá pra escrever livro ou fazer thread no Twitter (que agora nem é mais Twitter, veja só o que o tempo faz). Mas foi o início de alguma coisa.

E esse ano sigo insistindo. Leio, releio, esqueço, lembro, pratico errado, pratico certo, me perdoo. Volto. Não tem muito o que explicar — e se tiver, eu ainda não sei como. Só sei dizer que nada disso é real. Que somos todos um. Que eu estou sonhando. E o mais curioso é que saber disso não muda nada... mas muda tudo.

Eu queria acordar, Hans. De verdade. Já pedi isso com um tipo de sinceridade que só se tem às 3h da madrugada, deitada de lado, em silêncio. Pedi que meus olhos fossem abertos, que alguém me balançasse pelos ombros e dissesse: "Ei, já deu, pode voltar." Mas eu não acordo. Continuo aqui, tropeçando nesse mundo de símbolos, enquanto um pedaço de mim sussurra que existe algo mais real do outro lado.

E mesmo sem ver, sigo tentando lembrar.

O último parágrafo da IA me fez chegar lágrimas nos olhos, vê se pode. Mas é isso, ela realmente pegou o tom. Mas prometo-prometo-prometo, que por mais que eu a use, sempre te enviarei aquilo que saiu das pontas dos meus dedos, honestamente humana. Não sei quando voltarei, talvez amanhã, talvez demore meses ou anos. É bom ter pra onde voltar. 


terça-feira, 26 de setembro de 2017

sobre estar sempre ausente;

Não sei bem explicar o motivo das minhas ausências, sabe? Ausente aqui, ausente para pessoas que achei que significavam algo. É tão fácil simplesmente largar mão, se afastar sem motivo algum. Confesso que às vezes bate uma sensação de "ei, como isso aconteceu mesmo?" - mas voltar atrás parece desgastante e sem sentido. E assim parece que vou cortando pessoas da minha vida. É tão fácil.

É essa facilidade que me perturba, volta e meia. Convenhamos, levei anos para desapegar de um ex-namorado, você é a prova 'viva', Hans. Então como - e quando - o desapego passou a ser regra e não exceção? Parece que ao - finalmente, será? - conseguir me desapegar daquela ilusão, desliguei algo aqui dentro. Talvez não seja só em The Vampire Diaries que desligam a humanidade, hein? HAHAHAHAHAHA Brincadeirinha, Hans.


quarta-feira, 14 de junho de 2017

sobre o último dia;

E hoje é o último dia. Nas nossas contas anteriores, deveria ter sido na última sexta, mas tivemos uma enchente no meio do caminho, o que adiou um pouco o fim. Mas tudo bem, por que hoje é o último dia. Estou eufórica, Hans. Não acredito que não precisarei mais ir para a faculdade, pegar ônibus, passar frio nas noites riosulenses, estar sempre cansada e com sono no dia seguinte. Ah. Hoje é o último dia!

Sabe que não pensei no pós? Como será daqui para frente? OK, penso muito em dormir, mas em algum momento o sono acumulado deve ser todo colocado em dia. Sentirei falta em algum momento? Talvez das pessoas, colegas e professores.  Não sei... Talvez um pouquinho, vai.

O que importa mesmo é que ACABOU. Sobrevivi. Fui até o fim - pelo menos se o Universo colaborar e nada trágico acontecer nesse dia. (Talvez eu devesse ter deixado para escrever esse post amanhã...). 

Chegamos na reta final, Hans. 
C.G.

Update 19/06/2017: Sobrevivi.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

sobre não suportar mais a faculdade;

Eu não havia realmente parado para pensar sobre escrever isso antes de agora, Hans. Mas acho que vale deixar registrado o sentimento que me assola, assim como deixei tantos outros e que agora já não possuem o mesmo significado.
        Não lembro se cheguei a comentar o motivo que me fez entrar para aquele (esse!) curso. Confesso que nem tenho certeza se o motivo que acredito que seja verdadeiro seja realmente o verdadeiro. Acho que quis sacudir a poeira, sair da zona de conforto, me obrigar a lidar com pessoas e, consequentemente, fazer novas amizades. Talvez eu não imaginasse que poderia dar tão errado. OK, eu fui obrigada a lidar com novas pessoas e, de certa forma, fiz novas amizades. Me conhecendo o suficiente, sabemos que não serão amizades que levarei para a vida, pelo simples fato de que não existe esse tipo de amizade na minha vida como uma constante. Não sinto esse tipo de apego.
        No início era um desconforto. E um pouco de enjoo no ônibus. Depois do primeiro semestre, ambos passaram. O segundo foi de boa, sinceramente pouco me lembro dele. Mas o terceiro foi horrível. E você sabe, depois que a coisa desanda, não há o que me faça ver com bons olhos novamente. E assim foi, o encanto se perdeu, as amizades aumentaram – nada como ter inimigos em comum para unir uma turma! – mas o estresse tomou conta. Eu quase desisti – e foi a runa e o FIES que não me deixaram! – mas cá estou, faltando sessenta e sete dias para terminar o sétimo semestre e me ver livre dessa faculdade horrível.
Esse semestre está sendo difícil, Hans. Todo tipo de fobia voltou, inclusive o enjoo no ônibus – efeito psicológico do meu desgosto. Eu não suporto mais ir até lá e estar lá. E nunca fui de esconder certos sentimentos, então também não tenho sido a acadêmica mais agradável... Não me orgulho, mas também não posso evitar. 

O mau humor não modifica a vida, dizia Chico Xavier, mas serão sessenta e sete dias infernais e eu preciso passar por eles de qualquer forma. 
Que assim seja.
C.G.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

sobre os quase trinta;



Me peguei esses dias pensando que, chegando agora aos vinte e oito, estou com quase trinta. Idade em que, nos noticiários, qualquer uma já é tratada como mulher, e não mais como jovem. Mas me sinto jovem, a realidade dos quase trinta parece tão distante, apesar de faltar apenas dois. Com quase trinta, minha mãe já estava grávida do quarto filho. A primogênita já havia casado, se mudado para a Europa e, se não me engano, se divorciado e já era mãe de três. Minha outra irmã já era mãe também. 

E eu? Ainda posto diariamente fotos do look do dia no Instagram. Tenho um cargo público, mas sinceramente, o Universo me deu ele sem nenhum esforço da minha parte. Diferente das outras mulheres da minha família, minha gestação é de sete semestres, e meu filho é um curso que não exige nada da minha capacidade intelectual. Não tive nenhum relacionamento duradouro, apesar de todos terem deixado suas cicatrizes profundas o suficiente para que eu desistisse de vez. Os poucos amigos que tenho, em sua maioria, estão distante geograficamente, e, levando em consideração que não sei lidar com pessoas muito próximas, é esse o fato que tem mantido nossa amizade de anos. Com quase trinta, sinto que não realizei nada. Ainda moro com meus pais, e não pretendo sair de lá tão cedo... Na verdade, metade dela me pertence, está comprovado na escritura, então porque deveria me apressar em sair da minha casa?

Com quase trinta, vivo uma vida relativamente boa e feliz. Mas ainda assim, sinto que tenho desperdiçado tempo. Por outro lado, parece que não tenho desperdiçado sozinha. Talvez seja o mal da geração dos anos 80/início dos 90, que não percebe o passar do tempo, e vê agora a geração seguinte nos alcançando e se realizando.

Com quase trinta, não vejo absolutamente nenhum tipo de mudança me alcançando e, a não ser que o retorno de Saturno chegue e vire tudo de pernas para o ar, parece que continuarei catalogando meus looks, sendo servidora pública, morando com meus pais e tendo um diploma inútil na gaveta. Não me leve a mal, eu gosto da minha vida, se paro para pensar nela, não há mais nada que eu poderia desejar – a não ser, claro, o desejo da maioria das pessoas de ter milhões na conta e viajar o mundo despreocupadamente - mas existe aquela sensação...



Com quase trinta eu não fiz nada.
Com quase trinta eu não faço a mínima ideia do que fazer.
C.G.

sábado, 17 de setembro de 2016

sobre o mundo que queremos viver;

Me peguei hoje pensando que não quero mais viver nesse mundo, Hans. Não é literal, você sabe – penso demais nos outros, aquela parcela importante e que não quero absolutamente nenhum mal ou tristeza. Mas sabe quando você vê – e lê – coisas tão absurdas, que se pega pensando o que está fazendo aqui? Você sabe que tenho um pé no espiritismo - não vejo a necessidade do rótulo, mas aqui acho importante para você entender meu ponto – e com isso me pego pensando por que estou aqui, sabe? Escolhi essa geração, essa parte da história da humanidade. E foi uma péssima escolha de mundo. Poderia ser pior, bem sei. Até que escolhi – não sei se ao acaso, mas dá pra acreditar em acaso? – alguns privilégios. Por outro lado: Deveria ter privilégio? Claro que não. Mas nesse ponto da história da humanidade ainda existem esses tais privilégios. E vim com alguns deles.

Minha mãe costuma dizer que a Vovó Velha dizia que a humanidade chegaria num ponto em que ninguém mais se entenderia. Estamos quase lá, não estamos? Tem gente espetando agulhas – com sabe-se lá o quê – nas pessoas por aí, Hans! Tem gente violentando crianças de dois anos. DOIS ANOS! Ninguém mais tem respeito por ninguém. Ou vergonha-na-cara.

Estou cansada. Estou triste, também. Ontem Domingos se afogou num rio, e isso me entristeceu de uma maneira que estou a ponto de chorar. Me peguei pensando em seu desespero, na luta por fôlego, no pensamento com os filhos, a esposa. Ninguém quer realmente morrer, Hans. Ainda não chegamos nesse ponto de evolução onde a Morte possa ser apenas uma viagem.

Você vê a contradição aqui? O mundo está um caos, mas não queremos morrer. Talvez ainda reste alguma esperança, apesar que a minha se encontra mais no Ápice de 2036, confesso.
Eu não quero mais viver nesse mundo, Hans.
Então está na hora de começar a construir um melhor.
Pelos Domingos que foram cedo demais;
Por seus filhos, nossas crianças.
C.G.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

sobre o mal costume das fases boas;


Quanto tempo, não é mesmo? Acho que posso justificar – não que eu precise – esse tempo como uma fase boa. Não tenho necessidade de vir até aqui quando me encontro em fases boas, você sabe. Não sei quando foi a última vez, nem mesmo se foi em dois mil e dezesseis, mas as aulas começaram de novo, o TCC está aí, briguei com a chefa, Fabíola está desempregada, Eleonora está muito bem, obrigada.

Aliás, foi ela que me fez vir até aqui. Quase chorei agorinha a pouco, ao receber uma foto da minha pequena totalmente preguiçosa, usando meu pijama como travesseiro, enquanto dorme na minha cama. Eu a amo, Hans. E esse sentimento quase me fez chorar, não é idiota? Claro que há todo um contexto... Shyrra morreu. E, em partes, sinto como se pudesse ter sido comigo e tenho amassado – e amado – Eleonora mais que o normal. É um daqueles momentos em que você se lembra que ainda há de passar por tantos sofrimentos – como a perda da sua gata gorda, sua eterna pequena ou ainda perda de alguém da família. Perda de seres importantes.

Ainda hei de passar por isso, já que ao que tudo indica – as estatísticas estão a meu favor – a ideia é de que os mais velhos morram antes – apesar de ninguém ter certeza de nada nessa vida. Não quero passar por nada disso. Quero que o aperto no peito – que aqui se encontra – vá embora, e que eu possa voltar a respirar fundo – aliviada – novamente. Tenho sido mal acostumada com longos tempos de fases boas.

Talvez seja o inverno. Você sabe como eu odeio o inverno, os dias cinzas, chuvosos e frios. Quero viver um eterno Verão.



“...Mas é claro que o Sol vai voltar amanhã.”
Tomara, Renato. Tomara.
C.G.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

sobre dois mil e quinze;

Dois mil e quinze passou, Hans. Mas não antes de me presentear com o restaurar da nossa família. Em partes, por que também não podia exigir tanto, mas acredito que dois mil e dezesseis me traga o resto. Também não precisa me trazer, eu mesma vou atrás buscar.

Qualquer coisa que eu tenha vivido e tenha sido - por mim declarado, mas não realidade, observo - um fracasso, foi totalmente anulada por aquele dia vinte e quatro de dezembro. Só tenho a agradecer pela forcinha do Universo, pela calma do Mestre, pelo sopro de gratidão. Foi ótimo, Hans.

Talvez a faculdade não tenha sido tudo aquilo que eu imaginei. Talvez o curso esteja errado, a instituição, alguma coisa. Por outro lado, uma coisa ou outra a gente aprende, seja pra vida profissional ou apenas pra vida. 

Sobre as vidas que nos deixaram, tivemos nossas perdas. A ausência sempre dói mais nos próximos. Compramos a casa, a terceira parte dela, no caso. Agora são duas partes, e por enquanto: uma. Levei alguns sustos, pensei estar prestes a perder meu amor mais sincero, mas controlamos a situação. Está tudo bem. Estamos todos bem. 

E por causa do décimo segundo, posso dizer que não apenas sobrevivi ao ano, mas vivi. Talvez sejam mudanças internas ou apenas novas configurações astrológicas, mas os vinte e sete começaram bem.

Garanto que 2016 será tão bom quanto.
Só depende de nós.
C.G.



terça-feira, 27 de outubro de 2015

sobre os males que fazemos aos nossos pais;

Vou ser compreensiva e dizer que até entendo que talvez não seja intencional. Pelo menos prefiro acreditar que na maioria das vezes não seja. Exceto talvez naquela fase rebelde da adolescência, que parece dar um gostinho de vingança fazer um malzinho àqueles que não nos permitiram algo que queríamos.

Sinceramente não lembro de ter cometido uma dessas vingancinhas, mas certamente fiz. Quem bate nunca lembra, não é mesmo? Nas lembranças constam outros males. A insistência em me distanciar mais de mil quilômetros, o silêncio na mesa, na casa, na vida. Eu também cometi os meus, sabe? Também fiz mal àqueles que hoje tanto prezo em ver bem.

Não sei exatamente quando as coisas mudaram, quando foi que eu passei a vê-los como uma joia rara que eu precisava segurar e proteger? Apenas sei que tem se tornado mais difícil, conforme os anos se passam, e não voltam.

Não voltam, Hans. É nesse ponto que mais me aflijo. Cada momento vivido não volta mais, e chegamos num ponto em que estamos correndo para o fim. Estarei sozinha, em algum momento. Talvez ainda dure mais do que já vivi, talvez só dure até amanhã. 

Mas eu os tenho comigo hoje, você me entende? Eu os fiz rir, ainda hoje. Conversamos, ainda hoje. Estamos todos bem. Estamos juntos. Acontece que não posso fazer por cinco, cabe fazer a minha parte, não posso ser cinco. Ou duas, ou três. 

Não posso ser três.  Posso ser apenas a filha mais nova, a mais decidida, tantos outros adjetivos que me deram. Sou essa. Não posso ser eles. Não posso ser Jaques, nem Ezequiel. Será que eles, em algum momento, chegaram a pensar sobre os dias que não voltarão? Sobre o mundo solitário que nos espera? 

As coisas tem sido difíceis, Hans.
C.G.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

sobre vestir minha armadura;

Depois de um certo tempo vivendo uma constante fase da vida, ela já se enquadra na minha categoria de verdades absolutas assumidas por algum motivo aleatório, mas importante. Faz um certo tempo que me decidi sobre isso, indo na contramão dos meus desejos aos vinte e dois.

Por outro lado, tal decisão também se contradiz com outro lema que adotei pra essa vida, que seria o "Não sou obrigada a nada." Não sou mesmo? Nessa questão, parece que sou. Porém, mais uma vez, em um terceiro lado (se é possível), não seria uma obrigação, se for escolha. Sincera. Necessária. Talvez uma obrigação comigo, mas nunca com eles.

Mas o ponto aqui, Hans, é que semana passada vi a promessa tremer. Tive visões de um futuro contrário, ofuscado pela simples volta. Escondi o sorriso e apaguei as previsões. Respirei fundo, tentando me manter neutra. Segura. Cheguei até a ficar um pouco indignada com meu eu tão fraco e iludido. 

Por fim, ergui o queixo, fechei a cara. Vesti minha armadura. Minha escolha é sincera, é necessária, é uma promessa que nunca foi feita, mas que será mantida, por mim, por eles, por nós. Se de fato foram tantas e tantas vidas vividas de forma similar, posso ao menos rebater que não foi de todo só.  


Permanecerei ao seu lado,
Prometo.
C.G. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

sobre despedidas em aeroportos;

Faz poucos dias que completou quatro anos que dei adeus em um aeroporto, sabendo que nunca mais veria aquela pessoa. Existem alguns instantes, mágicos, que temos toda a certeza do mundo, e mesmo que ela se esvaia em seguida, fica a sensação. Faz quatro anos que dei adeus em um aeroporto, para a pessoa que considerava ser o amor da minha vida.
 
Lembro que quando eu estava lá, parada, olhando para ele enquanto tirava minha mala do carro, cheguei a conclusão de que não estava mais apaixonada. Eu ainda o amava, mas não estava mais apaixonada. Essa frase virou clichê nos últimos anos (não lembro se antes ou depois de dois mil e onze), mas foi um dos pensamentos mais verdadeiros que tive em relação ao amor. Deve ter se tornado clichê justamente por isso: o amor e a paixão nem sempre morrem juntos.
 
Dei adeus e embarquei em um avião. Devo ter respirado fundo muitas vezes durante a viagem. Tentado descobrir exatamente onde tudo fora perdido. Hoje eu sei que o fracasso já estava desenhado desde o início, mas na época as coisas não estavam tão claras para mim. Éramos duas pessoas tão diferentes, que só mesmo karma para ter nos juntado. 

Depois de um tempo, cheguei a conclusão que mesmo que eu declarasse que o amor havia morrido, não seria tão simples assim. Acabei por me resignar que, de certa forma, eu sempre o amaria.Talvez pelas lembranças, ou pelas pessoas que me faziam lembrar dele com um soco no estômago, ou ainda por ter sido o primeiro amor real. Coloquei na cabeça que eu sempre iria amá-lo, e pronto, assunto encerrado.

Então algo maravilhoso aconteceu: o tempo. Há quatro anos, dei adeus para uma das minhas paixões mais intensas, mas não sei exatamente quando me despedi desse amor. Talvez em algum momento entre o corte radical de cabelo e o início da faculdade. Entre lágrimas e sorrisos sinceros tiradas por um gato, sustos e alegrias em família, antes ou depois da casa nova...

Em algum momento, nesses últimos quatro anos, o amor finalmente morreu.

E eu me sinto em paz.
C.G.
 

sábado, 8 de agosto de 2015

sobre (minhas) birras de criança;

A última carta que te escrevi, não mandei, Hans. Achei que o motivo que me fez escrever era egoísta demais, e resolvi deixar o rascunho de lado, talvez para uma melhor adaptação, no futuro. Porém o motivo de hoje também é uma dessas sensações que você se envergonha, mas não consegue evitar. Somos assim, né? 

Sinceramente não sei se é o fato que nasci no primeiro dia do mês, ímpar, numa quinta-feira, ímpar, meu nome completo, minha Lua em Virgem ou ainda toda a junção do meu mapa astral, mas se tem uma coisa que eu detesto, é ser contrariada. E você, pessoa de certo conhecimento, deve concordar comigo que as contrariedades fazem parte do mundo. E poxa, talvez até fazem ele um pouco melhor, não acha?

Ainda assim, a criança birrenta aqui dentro bate o pé e faz escândalo, não aceita que às vezes não dá, não deu, não quiseram... QUE NÃO. Simples assim. É até meio cômico, por que se olharmos por outro ângulo, a pessoa que mais contraria os outros nessa família, na vida... sou eu. O NÃO é presente, até demais, no meu vocabulário.

Mas quando ele é referido à mim, aaaah... a criança birrenta faz beiço, faz birra, fecha a cara e exclui o mundo. Ousaram me contrariar, agora aguentem meu mau humor. Não é patético? Quando você, um dia, me responder sobre esta, Hans, escreva apenas uma palavra: Cresça.


¯\_(ツ)_/¯
C.G.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

sobre avalanches;

Tem dias que simplesmente não são. Bons, rápidos, úteis, interessantes. Acho que estou tendo uma semana repleta destes. Eu tinha aprendido a controlar o impulso do estresse-de-querer-matar-todos, mas aí que está o ponto: não tem como controlar sempre e de repente explode bem na sua cara: uma avalanche.

Quando isso acontece, penso que temos duas opções: jogar tudo para fora (não recomendável) ou respirar fundo e segurar tudo para dentro (não recomendável também). Eu normalmente uso da segunda opção, mas sempre tenho que lidar com as consequências de muito sentimento negativo preso dentro de mim. Mas imagino que se eu utilizasse da primeira opção, seria amargamente preenchida com remorso, então... Negativo por negativo, escolho o que causa menos danos aos outros. E, consequentemente, à mim, por que não precisar lidar com os mimimis alheios já é de grande valia.

E esses dois parágrafos anteriores foram para te dizer que está difícil, Hans. Ontem foi um desses dias que não são nada de positivos. Eu quis matar muitos. Não é uma coisa de bom coração dizer, certo? Mas quis. OK, talvez não de fato, mas pelo menos poder dar de mão aberta na cara das pessoas até a raiva passar. Talvez eu deva treinar boxe.

E agora tenho que lidar com essa dor angustiante dentro do peito. É uma agonia. Imagino que princípios de infarto comecem dessa maneira, e isso não é legal, mas... Está aqui, a dor me lembrando que não consegui segurar a onde estressante e deixei ela me atingir. Me sufocar.

Mas claro que vai passar, Hans, como tantas outras coisas já passaram. Não sei exatamente por que esse episódio mexeu tanto com a minha pessoa, mas está aqui e eu precisava contar para alguém.



Melhor que seja pra você.
C.G.

quarta-feira, 11 de março de 2015

sobre os quases da vida;



Quase desisti, Hans. QUASE DESISTI. Acho que é nesse ponto, ou entre esse e o anterior, que você percebe aquela mudança, mínima, mas que te faz continuar. Que te obriga a continuar: ser responsável. É muito fácil desistir, você bem sabe. Simplesmente parar, se negar a continuar, voltar ao nada anterior, sem arrependimentos, mas com muitos futuros arrependimentos (conhecemos a sensação!). Acho que é esse o ponto: Você sabe que vai se arrepender se desistir, então você resolve continuar. Na obrigação mesmo, mas continuando. 

Nesse caso específico, eu até teria razão em desistir: muitos fatores externos estavam contribuindo (ainda estão, mas agora sou obrigada a ignorá-los: mas não sem comprar a briga toda vez que o assunto vem à tona). Mas enfim: Continuei, e que chatice é isso, ter-que-continuar-na-marra, ainda assim, acho que vou me orgulhar dessa decisão no futuro e nem sempre as coisas acontecem da forma que queremos, estava na hora de eu aprender essa regra. 

Não que tudo tenha sempre sido da forma que quis, pelo contrário, mas Polliana que sou, era fácil acreditar que o que tinha acontecido era o melhor e voilá, tudo estava certo e no lugar. (Como o caso da cerca que tinha dez centímetros de espaço entre as barras em vez de seis, conforme eu havia pedido e depois de muita encrenca e anos se passarem, cheguei a conclusão que a de dez era definitivamente melhor, justamente por não acontecer o que eu queria que acontecesse na de seis!) Dessa vez não tem como ser Polliana e acreditar que isso foi o melhor: talvez eu conseguisse, mas... definitivamente não foi.

Mas assunto encerrado,
 só queria deixar registrado o quase.
C.G.