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a Remetente
Sabe o Grilo Falante, de Pinóquio? Talvez eu só esteja em busca da minha humanidade, e Hans seja a minha consciência gritando alto. É sempre mais fácil escrever para alguém e se você supor que a pessoa te conhece a tal ponto de compreender suas maiores loucuras e seus piores pensamentos... As palavras correm soltas. Você deveria tentar qualquer dia desses.


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Correspondências

quinta-feira, 7 de maio de 2015

sobre avalanches;

Tem dias que simplesmente não são. Bons, rápidos, úteis, interessantes. Acho que estou tendo uma semana repleta destes. Eu tinha aprendido a controlar o impulso do estresse-de-querer-matar-todos, mas aí que está o ponto: não tem como controlar sempre e de repente explode bem na sua cara: uma avalanche.

Quando isso acontece, penso que temos duas opções: jogar tudo para fora (não recomendável) ou respirar fundo e segurar tudo para dentro (não recomendável também). Eu normalmente uso da segunda opção, mas sempre tenho que lidar com as consequências de muito sentimento negativo preso dentro de mim. Mas imagino que se eu utilizasse da primeira opção, seria amargamente preenchida com remorso, então... Negativo por negativo, escolho o que causa menos danos aos outros. E, consequentemente, à mim, por que não precisar lidar com os mimimis alheios já é de grande valia.

E esses dois parágrafos anteriores foram para te dizer que está difícil, Hans. Ontem foi um desses dias que não são nada de positivos. Eu quis matar muitos. Não é uma coisa de bom coração dizer, certo? Mas quis. OK, talvez não de fato, mas pelo menos poder dar de mão aberta na cara das pessoas até a raiva passar. Talvez eu deva treinar boxe.

E agora tenho que lidar com essa dor angustiante dentro do peito. É uma agonia. Imagino que princípios de infarto comecem dessa maneira, e isso não é legal, mas... Está aqui, a dor me lembrando que não consegui segurar a onde estressante e deixei ela me atingir. Me sufocar.

Mas claro que vai passar, Hans, como tantas outras coisas já passaram. Não sei exatamente por que esse episódio mexeu tanto com a minha pessoa, mas está aqui e eu precisava contar para alguém.



Melhor que seja pra você.
C.G.

quarta-feira, 11 de março de 2015

sobre os quases da vida;



Quase desisti, Hans. QUASE DESISTI. Acho que é nesse ponto, ou entre esse e o anterior, que você percebe aquela mudança, mínima, mas que te faz continuar. Que te obriga a continuar: ser responsável. É muito fácil desistir, você bem sabe. Simplesmente parar, se negar a continuar, voltar ao nada anterior, sem arrependimentos, mas com muitos futuros arrependimentos (conhecemos a sensação!). Acho que é esse o ponto: Você sabe que vai se arrepender se desistir, então você resolve continuar. Na obrigação mesmo, mas continuando. 

Nesse caso específico, eu até teria razão em desistir: muitos fatores externos estavam contribuindo (ainda estão, mas agora sou obrigada a ignorá-los: mas não sem comprar a briga toda vez que o assunto vem à tona). Mas enfim: Continuei, e que chatice é isso, ter-que-continuar-na-marra, ainda assim, acho que vou me orgulhar dessa decisão no futuro e nem sempre as coisas acontecem da forma que queremos, estava na hora de eu aprender essa regra. 

Não que tudo tenha sempre sido da forma que quis, pelo contrário, mas Polliana que sou, era fácil acreditar que o que tinha acontecido era o melhor e voilá, tudo estava certo e no lugar. (Como o caso da cerca que tinha dez centímetros de espaço entre as barras em vez de seis, conforme eu havia pedido e depois de muita encrenca e anos se passarem, cheguei a conclusão que a de dez era definitivamente melhor, justamente por não acontecer o que eu queria que acontecesse na de seis!) Dessa vez não tem como ser Polliana e acreditar que isso foi o melhor: talvez eu conseguisse, mas... definitivamente não foi.

Mas assunto encerrado,
 só queria deixar registrado o quase.
C.G.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

sobre a sensação que sonhos nos deixam;

Fazia um certo tempo que um sonho não me deixava com esse... feeling. É estranho. Minha rotina de sonhos mudou drasticamente, desde 2010 e meu super-preenchido diário de sonhos. Aqueles que antes eram diários e muito bem lembrados, foram se tornando escassos e borrados.

Continuam.
Mas alguns ainda me despertam sentimentos e sensações que não consigo expressar. Quando penso no sonho dessa noite - agitada, aliás - só consigo descrevê-lo como mucho loco.
Mas na real não lembro muito bem dele, um borrão de fato, mas a sensação... Essa ficou comigo. Aquele tipo de sonho que quase te faz acreditar que você conseguiria viver algo assim. E que você quer viver algo assim.

Mas aí vem a realidade e sua dose extra de motivos pelos quais simplesmente não vale a pena.

 
E você deixa a sensação pra lá.
C.G.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

sobre passar um tempo longe;

Hans, Hans, Hans! Quase um ano! Depois de abril, todos os meses passaram, voando, com ganhos, risadas, decepções e sustos. Dois mil e catorze foi intenso, Hans. Em muitos sentidos. A faculdade foi o que eu esperava: consegui aumentar o círculo de conhecidos, tive que socializar na marra. Conquistei afetos, me estressei com trabalhos de final de semestre - e até o estresse era bem vindo, significava que a vida estava acontecendo e eu estava fazendo algo. Ufa.

Na questão do trabalho, permaneci cerca de oito meses na Administração e então voltei para o lugar onde me sinto em casa, Saúde. Não me arrependi. Tem seus períodos de estresses, estou em um setor mais indefinido que o anterior, o batizei de etecetéra. Tudo cai aqui, mas está indo bem.

Família, ah... Tivemos nossos contratempos. Um irmão riscado da árvore genealógica. Tentei me manter neutra até certo ponto, depois que este foi ultrapassado não havia como ficar em cima do muro e pulei para um lado. Claro que seria o lado mais amado. Fui ficar do lado de quem possui meu coração e afeto mais sincero. Ainda assim, não fui a quem mais sentiu a falta e a decepção... Não senti nada, na verdade. Ainda não sinto. Mas meus pais... Ah Hans... Quem dera ele pudesse os ver com os meus olhos... Eu penso tanto, cuido tanto, amo tanto, sabe? Refaço planos, reconsidero opiniões, amenizo os tons das vozes. Tudo por eles, para tê-los por perto por um longo tempo ainda. 

Minha mãe nos deu um susto danado, em outubro. Eu não senti ela indo, não tive aquele feeling, mas morri de medo mesmo assim. Existe um ponto preto no meu coração, criado naquele dia. Mas passou. Estamos bem, estamos todos bem.

Os vinte e seis chegaram, e em seguida Saturno chegou em Sagitário. Ainda não descobri qual dos dois afetou minha relação com o dinheiro, mas comecei dois mil e quinze decidida a ter uma renda extra. E cá estamos, envoltos em cestas de páscoa em pleno janeiro. Mas é sucesso, Hans. 

Pretendo me manter mais presente neste ano, porém não pretendo fazer das pretensões, regras. 

Exceto viver, essa virou prioridade.
C.G.




segunda-feira, 28 de abril de 2014

sobre não saber de nada;

Hans! Março aconteceu, e abril está quase no fim. E algumas coisas aconteceram. Foi de uma hora pra outra - como normalmente é, você percebe? Eu planejo tudo certinho, e não dá certo. De repente, do nada, depois de um telefonema, uma decisão... Acontece. Sempre é assim comigo. O curso é bom. Eu gosto, estou gostando... MAS. E sempre há o mas: não sei nada sobre o futuro e não sei se esse não saber é bom, - afinal, irá acontecer tudo de repente mesmo - ou se eu deveria planejar um pouco... Pelo menos um plano B?

Sinto que estou com o freio de mão puxado, é isso. Como se a overdose de expectativas que tive em 2010 agora me fizessem olhar desconfiada para qualquer mínima expectativa que aparece. Continuo achando tudo muito estranho. Ainda não sei o que realmente estou fazendo "aqui" - mas agora pelo menos ESTOU FAZENDO algo. É uma sensação um pouco melhor. "Que eu não saiba aonde ir é compreensível, desde que eu tente ir, de qualquer maneira." Mais ou menos isso, sabe?

Ps.: Quando eu disse que precisava de uma forcinha, eu não tinha exatamente isso em mente, mas... foi melhor ainda, obrigada ♥

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

sobre acreditar nas mudanças;



Minha família nunca foi do tipo religiosa. Na verdade, lembro bem de aos sete, oitos anos, escutar minha mãe dizer que não acreditava em Deus. Com menos de uma década, eu não entendia que aquilo era só uma forma de demonstrar sua raiva para o mundo, pela morte repentina de seu pai. Levei aquelas palavras comigo por um tempo. Era criança e se minha mãe não acreditava em Deus, bom... “God Who?” Mais ou menos na mesma época (o que não precisa significar o mesmo ano e idade)  – preciso explicar um dia que minha forma de contar épocas é pelas casas que morei – eu e meu pai tivemos uma visita “diferente”. Não o vimos, só sentimos seu cheiro. Lembro de não ter duvidado do que (e de quem) era em nenhum momento. 


E por que estou falando isso, Hans? Por que eu “não acreditava em Deus” na minha forma de criança que leva as coisas ao pé da letra, mas acreditava em espíritos e vida depois da morte. As duas coisas eram reais para mim. Claro que eu cresci, e em algum momento confrontei minha mãe sobre sua não crença em Deus, e ela perguntou de onde eu havia tirado aquela ideia. Acho que entendi muitas coisas naquele dia. Falamos muito, Hans. E acreditamos em muitas outras coisas. E aquilo é real? Sim. Enquanto acreditamos, aquilo se torna a nossa realidade. Mas mudamos, entende? Ainda bem, concordo, mas isso tem me ocupado os pensamentos ultimamente. Até que ponto ainda mudaremos? O que nos tornaremos no futuro? Serão todas essas mudanças, benéficas? Acreditamos que sim, tenho certeza. Mas não podemos ter certeza de nada.


E tudo isso, Hans, é para que você entenda que nem eu mesma entendi como, quando, porquê mudei de ideia sobre o futuro. Quando comentavam antes, eu repelia a ideia. “Não é pra mim”, pensava. Mas mudei de ideia sobre tantas coisas – como sair da Saúde, por exemplo – então por que não mudaria de ideia sobre isso também? 


Mas acho estranho, confesso. Palavras que antes não faziam sentido nenhum, agora são relembradas com a ideia de que fazem todo o sentido do mundo. Quando começamos a mudar, Hans? E por que isso me intriga tanto, se durante tanto tempo me considerei uma metamorfose ambulante? Qual o problema em não estar na linha reta todo tempo, Hans? Se afinal, sendo linha, chegarei a algum ponto, em algum momento?


Justo eu, que sempre fui de acreditar, Hans.
Talvez esteja na hora de acreditar em mim.
C.G.