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a Remetente
Sabe o Grilo Falante, de Pinóquio? Talvez eu só esteja em busca da minha humanidade, e Hans seja a minha consciência gritando alto. É sempre mais fácil escrever para alguém e se você supor que a pessoa te conhece a tal ponto de compreender suas maiores loucuras e seus piores pensamentos... As palavras correm soltas. Você deveria tentar qualquer dia desses.


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Correspondências

terça-feira, 11 de outubro de 2011

sobre voltas, futuro e mais do mesmo

Hans, por favor, me leva para o futuro? Me deixa ver o que ele me trará, o que será de mim, de nós, de tudo? Seria tão mais fácil.. Tão simples viver. Eu sei, ninguém disse que seria fácil, e bom... tecnicamente eu não tenho do que reclamar... Minha vida é fácil, mas dentro das facilidades dela, existem tantas complicações... Ah, Hans... 

Você sabe, não sabe? Então. Não quero mais ir por esse caminho e pra falar bem a verdade, tanta coisa mudou que acredito que não irei mais por ele, mas também não quero ir por qualquer caminho que me leve ao que o outro me levaria. Chega de coisas mal-resolvidas, Hans. Quero certezas... "Já fizemos promessas demais", lembra?

Meu coração é tão tosco e tão pobre,
não sabe ainda os caminhos do mundo.
C.G.

Ps.: Uma coisa nunca poderei negar.
Ps do Ps.: Quando estou com ele, estou em paz.

 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

sobre construções, vício e serviço social


Hans, Hans, Hans.

Não adianta, ambos sabemos – e sabíamos – que escrever diariamente não era real. É a questão de necessidade, sabe? Sim, muito egoísta da minha parte, bem sei. Mas então, voltando a programação normal – ou não – setembro passou voando, trouxe novos ares, uma primavera inteira e nova para ser vivida. Novo fôlego.

Nossa casa está sendo construída a todo vapor, como diz meu pai: “às vezes nem parece ser real”, mas estamos quase lá. Não é animador ver algo sair do papel e ser real? Construído com um tijolo por vez... A casa nova também serve de lição para minha vida, não é? Eu sempre quero começar pelo telhado das coisas, esquecendo que o primeiro passo é um fundamento sólido e resistente, para suportar todo o resto. A base de tudo. De que adianta querer logo o telhado? E o resto? As paredes? O fundamento? Um tijolo de cada vez, é o novo lema.

Fora isso, tem feito Sol e calor nos últimos dias, mas não, não estou reclamando. Cada vez que penso “mas que calor!” lembro da época em que tinha que usar três casacos, cachecol, luva, polainas e botas, e o calor volta a ser animador. Tudo é mais fácil no Verão.

E bem... sobre aquele caso.. Sou uma ex-viciada, não é mesmo? Não tenho tomado minhas doses dele, sinto falta, às vezes. Mas não é assim que tem que ser? Superar um dia de cada vez? Seria mais fácil se ele não povoasse meus sonhos. Todas as noites, Hans. Você leu bem: TODAS as noites. A parte boa é que não lembro tudo com detalhes... A parte ruim é que, bem... Eu lembro o suficiente para saber com quem sonhei... Enfim, não controlo meus sonhos e ficar incomodada com eles provavelmente só vai piorar a situação, não? Vou sobreviver, então.

Agora, mudando drasticamente de assunto: Lembra que eu estava super empolgada pra fazer Comunicação Institucional na UNIDAVI? OK, ‘super empolgada’ não, mas eu estava ‘com vontade’ o suficiente, pelo menos... Pois é.. Surgiu Serviço Social para acabar com a ‘certeza’ de ter escolhido meu curso. Oh, shit, Hans! É complicado, por que tem dias que acho que sou perfeita pra fazer Serviço Social... Tem dias que acho que não tenho NADA a ver com o perfil do curso.. Mas OK, não estou realmente paranóica sobre isso.. Eu quero realmente fazer algo, mas alguma coisa mudou por aqui, sabe? Não há mais aquela necessidade como se cada minuto sem estar numa faculdade fosse um tempo perdido... No way! Não é, aprendi que não é. O fundamento, lembra? Precisava construí-lo, antes de tudo. Acredito que já comecei, mas não sei quando ficará pronto, HAHA

Talvez já esteja, Hans.
Mas só saberei na ‘hora certa’.
C.G.




terça-feira, 30 de agosto de 2011

sobre a falta de esperança;

HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAANS, oi.

Viu a trégua que te dei? Eu sei, eu sei, o combinado era não te dar trégua, mas nem sempre é possível pôr em palavras o que se passa aqui dentro, sabe? Às vezes tenho medo, na verdade. Medo de mexer em algum cantinho aqui dentro e descobrir coisas que não quero saber. É complicado, viu? Mas estou bem, Hans.

Lembra da última carta? A releia, se for o caso, mas eu estava indecisa sobre Brasília, vou, não vou, vou, não vou, poxa.. Acho que vou. E fui. Pronto. Fui e já voltei, Hans. Foi ótima a viagem, quero de novo amanhã, depois e depois. É tão bom fugir um pouco dessa realidade cinza e passar dias ensolarados por aí, aaaah Hans...

Eu sei que você está se perguntando a mesma coisa que todos se perguntam – e me perguntam! – então... Me surpreendi, Hans. Você acha mesmo que o amor pode acabar assim? Não acaba, Hans, eu teimo em acreditar que ele não acaba... Ele vai para algum outro lugar. Mas cadê, então? Cadê todo aquele sentimento que existia que não vi, nem senti, lá? Ficou só aquela dorzinha de esperança mal usada, sabe? Aquela do tipo “Poderia ter dado certo, eu acho...” só o poderia, entende? Já no passado, já descartado... Poderia ter dado certo, mas não deu. Não dará. Entende? Aonde foi parar o ‘quem sabe um dia, quem sabe?’ Sei lá, Hans, tenho medo desses sentimentos que somem assim de uma hora para outra.

OK, sei que não foi de uma hora pra outra... Foram anos de tentativas.. Uma hora eu teria que me entregar e desistir, não? Mas confesso que nunca achei que seria assim... fácil. Rápido. Indolor.

INDOLOR. Isso. Não dói Hans, não dói e eu acho estranho. Como pode não doer? Como eu pude estar de novo ‘com’ ele e não sentir? Não esperar por nada? E não me venha dizer que ‘não era amor, então’, porque você sabe... Ah, você sabe o quanto amor que era. Que é. Por que amor é pra sempre, você sabe disso. O meu só está em algum lugar perdido aqui dentro, talvez seja melhor assim, não?

Na verdade... Não é que eu não sinta AMOR. Eu sinto, senti, sentirei. Mas a esperança... É a esperança, Hans. A esperança que se foi, o ‘acreditar no futuro’ que se foi. O amor ficou, mas quem é ele sem esperança? Apenas um sentimento bom em relação à alguém. Sem esperar nada.

Eu não tenho esperado nada, Hans.
Isso me assusta.
Mas pelo menos não dói.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

sobre sentimentos, sonhos e significados

Hans,


Tenho pensado tanto, e a cada novo pensamento sobre a mesma coisa, mais estranho tudo me parece. Onde foi parar o sentimento, Hans? Era apenas a esperança que estava tornando aquilo tão forte? Não nego que pensei no futuro, no nosso futuro, algumas vezes essa semana, mas sabe quando falta algo? Falta acreditar naquela possibilidade, e isso já não existe mais. E agora me sinto tão Evanna, com medo desse vazio que a esperança deixou.

Eu fico procurando vestígios de sentimentos, como se quisesse – talvez, talvez – encontrá-los em algum lugar, mas a cada nova tentativa, mais acho que finalmente se foi. Desapego. Será possível ir assim tão rápido? Dois anos. Sim, foram dois anos acreditando em algo que nunca acontecerá, eu sei, não foi tão rápido assim, foi apenas o... xeque-mate, a gota d’água, enfim... Você entendeu.

Estou cansada, fico repetindo isso mentalmente, sem parar. Estou cansada. Cansada do quê, afinal? Das tentativas frustradas? De viver...? E viver não é sempre tentar, tentar e tentar? A vida deveria ser mais fácil, repito também, só para depois lembrar que a minha vida não é nada difícil. Pelo menos, ainda não.

Tive um sonho essa semana, e ele não me sai da cabeça – o que é estranho, normalmente eu tenho que escreve-lo tão logo lembro, por que esqueço rápido deles. Eu estava ajudando meu pai a procurar um carro que tinha afundado em um mar/lago/água. Aquele carro tinha batido no carro do meu irmão, não sei como, não sei porquê, mas eu e meu pai estávamos tentando localiza-lo. A água era rasa, ia até os joelhos – Sim, na prática seria impossível o carro estar afundado lá, mas era um sonho, Hans – então nós percorríamos todo o lago/mar/água, tentando ver se nossos pés batiam em algo. Meu pai achou o capô de um fusca – todo enferrujado – mas não era aquilo que tinha batido no carro do meu irmão. OK. Percorremos todo o lago/mar/água e nada. Até que meu pai começou a fazer um movimento de ‘girar’ na água, - formando aqueles círculos, sabe? – e isso formou um redemoinho e tcharã! Lá estava o carro... Que não era um carro, era uma caminhoneta! SIM HANS, a água batia no joelho, mas tinha uma caminhoneta afundada no meio do lago/mar/água. Meu pai – HULK! – tirou a caminhoneta do lago e ela estava praticamente intacta, só um pequeno amassadinho na lateral, mas era ela que estávamos procurando, eu sabia. Perguntei o que ele ia fazer com ela, e ele disse que ia reformar e vender – no sonho, isso tinha lógica – mas então perguntei sobre o dono dela, e como ela tinha parado ali, ninguém tinha dado falta? Procurado? Nisso minha mãe aparece também, e lembro do sonho terminar com ela dizendo que talvez ele – o dono - soubesse demais. Como se tivessem matado ele e jogado a caminhoneta no lago/mar/água, para esconder qualquer evidência.

Agora, analisa comigo, Hans... Água representa sentimentos/emoções, right? A água parecia rasa, mas tinha aquela caminhoneta – um obstáculo, um empecilho, algo que PRECISAVÁMOS encontrar – escondida/afundada dentro dela. Meus sentimentos parecem estar todos na superfície, eu procuro pelos que estão escondidos – os sentimentos por ele? - , na parte rasa, já que é aonde eu consigo/posso chegar, mas não encontro nada. Mas tem algo grande escondido nas profundezas. Só que eu não encontro. Essa é a parte que não entendo: quem encontrará por mim? Uma figura masculina, que ‘contornará’ – o movimento circular, no caso – a situação e assim trará isso à superfície?

E o leve amassado na lateral, significaria que os sentimentos estão praticamente intactos? Quanto ao dono... Morte seria a finalização de algo, - um ciclo que chegou ao fim, assim como pedi para ele: “preciso finalizar esse ciclo”.

Se o dono fosse o ciclo, ele chegou ao fim, e o inconsciente – quem o matou? -  ‘escondeu’ as evidências – sentimentos – bem lá no fundo, me deixando ver/saber apenas da parte rasa.

Hans, o que estou deixando passar? Eu sei que você não é interpretador de sonhos, Hans, mas tente ver da forma que fiz... O que está faltando? Qual o real significado que não estou conseguindo ver?

Preciso aprender a ver, Hans.
C.G.




quarta-feira, 3 de agosto de 2011

sobre remorso, pais e Mercúrio retrógrado

Hans,


Ah, Hans... Que dia estarei livre do remorso, me diga? Comprei as passagens hoje, mas não consigo me sentir bem com isso... Bate aquele aperto, por causa da minha família.. Como se eu estivesse negligenciando eles, ou algo assim. O que não é verdade, certo? A mesada quem recebe são eles, e isso não é uma reclamação, eu concordo que temos que ajudar com os gastos, mas então... Porque além da ‘mesada’ e de uma ajuda adicional para a compra das janelas da nossa nova casa – casa essa que parece demorar a sair do fundamento, mas enfim – eu ainda sinto esse remorso por gastar numa viagem para fazer um Concurso no outro lado do país? Ah, pais...

Não usarei a expressão ‘quando eu for mãe...’ aqui, por que bem, talvez eu faça igual – ou pior! – com meus filhos, sou toda cheia de drama... Mas gosto de acreditar que os incentivarei mais. Apoiarei mais. Bem, talvez meus filhos não vão querer nada com a vida e meus incentivos serão em vão... É bem a cara da Vida, fazer uma dessas. Quem precisa de apoio, não ganha. Quem não quer, tem de sobra, HAHA Triste, muito triste.

Fora isso, Mercúrio Retrógrado está me matando... OK, ele AINDA não fez nada, - exceto não completar uma ligação - mas eu assinei um contrato hoje e... Vou morrer de medo até tudo isso passar, ooh Gosh! Sim, eu sei Hans, estou neurótica. Mas é que... Ah, estou cansada. Cansada de sentir remorsos que não convém, de me sentir egoísta – talvez a expressão correta seja egocêntrica... Por que falando sério, não sou egoísta. Sou egocêntrica. É, usaremos o termo egocêntrica, melhor.

Então... É isso. Tem muita coisa acontecendo e ao mesmo tempo nada está acontecendo e eu estou no meio disso, dessa confusão de emoções. “Me mande mentalmente coisas boas” Sim, Hans, Caio Fernando teve dias com Mercúrio retrógrado em que nada e tudo aconteceram ao mesmo tempo, eu o entendo.

Sabe quando parece que você está a mil por hora e as pessoas ao seu redor não saem do lugar? Tudo é demorado, tudo me incomoda. As pessoas me incomodam, mas não falar com elas me incomoda ainda mais.



Preciso respirar,
C.G.


terça-feira, 2 de agosto de 2011

sobre James Blunt, desapego e gente grande


If she had wings she would fly away,
And another day God will give her some

Incrível o efeito que James Blunt possui na minha pessoa, Hans. Se um dia eu me descontrolar, toque algo dele e eu provavelmente voltarei ao normal... É James, um antídoto para qualquer mal. 

Me decidi sobre o Concurso da Petrobras, no final das contas... Claro que esse seria o resultado esperado, não? Afinal, o que custa tentar? Algum dinheiro a menos... APENAS. Dinheiro vai, dinheiro vem, é uma roda. Tem que ser gasto para mais poder vir. Sim, Hans, estou falando sério. Então, final do mês estarei em Brasília... – se nenhum imprevisto ocorrer, claro – Parece estranho, não parece? Ir para Brasília quando nada mais – ninguém, OK – me espera lá. Sem futuro. Deixar ir para ter. Lembra? Eu escutei bem. 

Deixei ir, Hans. Demorei tanto para entender, e acho tão... terrível, isso! Por que não aprendemos as coisas mais óbvias? Por que não são óbvias para nós, eu sei, Hans... Mas ainda assim...

No mais, o dia hoje foi... Normal. Inscrição paga. Cartão de Crédito pseudo-ativado... E lá vamos nós. Ah, bancos. Esse é o mundo de gente grande, no final das contas, um dia eu teria que fazer parte dele, não? 



Talvez ele tenha chegado.
Sempre chega cedo, sempre.
C.G.