Templates da Lua

a Remetente
Sabe o Grilo Falante, de Pinóquio? Talvez eu só esteja em busca da minha humanidade, e Hans seja a minha consciência gritando alto. É sempre mais fácil escrever para alguém e se você supor que a pessoa te conhece a tal ponto de compreender suas maiores loucuras e seus piores pensamentos... As palavras correm soltas. Você deveria tentar qualquer dia desses.


Caixa Postal

carollis.tumblr twitter.com/carolliiiiina .facebook.com/carolina.cds

Correspondências

sexta-feira, 8 de março de 2013

sobre finalizar uma etapa de queixo erguido;

Hans.


Já não dói.
Já não causa mais nada.
Passou, por fim.

Quem diria que esse dia finalmente chegaria? Todos. Menos eu, certamente. Mas confesso que insisti, achei que pelo menos a tristeza de não conseguir mantê-lo por 'perto' me afligiria. Também não. E é isso, então? Nos tornamos nada na vida um do outro e seguimos em frente. Deve parecer normal, para a maioria, mas ainda acho estranho. E o que fomos? E a importância? Esse vazio de sensações me parece... Nada.

Saberei eu viver com o nada? Me parece que sim. Todos os sentimentos me dizem que sim, saberei. Mas a mente - justo ela - ainda acha estranho e egoísta, afinal pessoas que um dia foram importantes deveriam ficar guardadas em algum lugar aqui dentro, não?


Pelo visto não.
Mundo estranho esse, Hans.



Ps.: De qualquer forma, "Do seu Lado" sempre me lembrará nossa história.
Talvez algo tenha ficado guardado aqui, no final das contas.
Ps².: E "Na sua Estante" me lembrará a fase ruim... Para manter o coração esperto ;)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

sobre as reviravoltas;

I braved a hundred storms to leave you
As hard as you try, no, I will never be knocked down
(...)
Next time I'll be braver
I'll be my own savior
When the thunder calls for me
Next time I'll be braver
I'll be my own savior
Standing on my own two feet
Eu já devo ter falado sobre isso um milhão de vezes. E em todas elas, eu me pergunto o porquê de continuar falando. Mas ainda parece mágico perceber a não existência daquilo que me fez escrever a primeira carta à você, Hans. Talvez tenha durado tanto, que agora eu sinto a necessidade de falar sobre a falta. Essa ausência. Esse vazio aqui dentro ao ver a pessoa online e não sentir nada. É um bom sentimento, entende? Mas enquanto não ser preenchido, acredito que terei essa necessidade incontrolável de ficar repetindo: Eu consegui. Sobrevivi ao coração quebrado. Juntei os pedaços, e acabei não colando eles da forma certa... Me reinventei.  
 
Posso até chegar a dizer que foi bom. Sim, parece patético, mas foi bom ter o coração despedaçado incansáveis vezes, até chegar a um ponto em que eu não sabia mais aonde cada peça se encaixava e assim ter que começar do zero. Foi bom. Foi libertador, Hans.
 
E sempre teremos as coisas boas. 
 
Essa, com certeza, é uma delas.
O quote lá em cima também.
C.G.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

sobre o mau humor dos dias cinzas;



O mau humor sempre está em mim. Você sabe. 

A novidade é quando ele está escondido... E até que consegui camuflá-lo bem nos últimos tempos. Mas tem dias que não dá, talvez por que eu certamente estava prevendo que o dia seria cinza e chuvoso. Tem coisa pior que dia cinza e chuvoso? Me lembra o inverno, e eu detesto o inverno. E tenho um motivo a mais para detestar a chuva: a entrada da minha rua fica um verdadeiro pântano, e eu praguejo contra caminhoneiros, dono de supermercado, e quem mais ousar passar por mim enquanto eu estou no meio da rua tentando não sujar meu sapato. Seja ele qual for.

Fora isso, minha pequena estava sem ração desde domingo a noite. Ninguém viu – no sábado – que estava acabando e ontem era feriado. Fiquei com remorso e isso deve ter contribuído para a elevação das taxas mau-humoristicas no meu sangue. Ainda que eu tenha chegado atrasada no trabalho, justamente para passar no supermercado antes e comprar a tal ração. Só que não tinha do pacote azul, só do amarelo.

Ela prefere o azul, Hans.
Ainda assim, não vejo motivos reais para o mau humor. Não vejo motivo para eu resmungar perguntando o que querem que eu faça, se o técnico da impressora não veio e é ele que cuida das manutenções nas impressoras. Mágica? O pó de pirilim-pim-pim está em falta.

O divertido da situação, Hans, é que eu sinto remorso pelo mau humor sem motivo. Havia um tempo que não, que ele podia ser descontado em qualquer um e não passava pela minha consciência que as pessoas não tinham nada a ver com aquilo. Pelo menos agora passa, viu? E tento me manter afastada da civizliação – mais ainda – em dias como o de hoje. Só que dias como o de hoje me fazem pensar em muita coisa – talvez seja o clima. Quem consegue pensar num futuro bom, em dias cinzas? Eu gosto de cor, você sabe.

Enfim, a amiga da minha irmã perguntou para ela se eu acho que encontrarei um marido trancada dentro de casa. Ah, Hans... Eu devo rir da metidice alheia? Por que meu futuro deveria passar pela mente de uma pessoa qualquer? Será que ela não tem outras coisas pra se preocupar? Acho estranho, sabe? Sei lá... Eu nunca pensei sobre o futuro dos outros. Não me interessa. E daí me é estranho pensar que interessa para os outros. Cada louco com a sua mania.

Mas não. Essa é a resposta: Não acho que eu vá encontrar o tal marido – que por acaso ela supôs que eu queira ter – trancada dentro de casa. Pra ser sincera, não acho absolutamente nada sobre esse assunto. Também me é estranho. Talvez a resposta que a minha irmã deu a ela sirva bem pra todas as perguntas do tipo: É tipo a Morte, um dia virá.

O único porém, Hans,
É que eu acredito na vida eterna.
C.G.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

sobre todos estarem morrendo;

Hans, Hans, Hans. Estão todos morrendo, Hans. O que vamos fazer? Continuar vivendo, eu sei, e esperar chegar nossa vez, é isso? Meu pai disse que está escrito - MAKTUB! - na Bíblia, que chegaria um tempo em que os vivos invejariam os mortos. Essa semana tivemos várias mortes. Duas por acidente, outra por doença. As de doença o tempo é prolongado e sofrível demais. Quando finalmente o beijo da morte chega, a família, por mais desamparada que se sinta, entende que 'foi melhor assim'. Apesar de nunca ser. 

Eu acredito na vida eterna, Hans. Mas mesmo acreditando com todas as minhas forças, não posso concordar que 'foi melhor assim', nesse caso. A gente sempre diz isso, mas no fundo queríamos mesmo era que a pessoa estivesse ali, viva, saudável, feliz. Nunca 'é melhor assim', apenas entendemos - de forma torta - que não havia nada mais a ser feito. E assim nos consolamos por que a doença estava comendo a pessoa viva. 

Mas acidente, Hans? Acidente é mais dolorido, é mais repentino, é uma vida tirada de forma trágica, sem que ninguém esperasse por ela. E os planos? E a família? O que acontece com os vivos, daí? Como continuar vivendo, simplesmente? 

C.G.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

sobre confiar plenamente Nele ou simplesmente ter fé;


Não sei, Hans, não sei. Tenho tido dias estranhos, viu? Na verdade nem tão estranhos assim, só ando pensando demais sobre ‘o que estou fazendo aqui’. É, aqui. Nessa vida. Nessa reencarnação. Você entendeu. E aonde eu poderia encontrar um caminho – ou respostas? Fui lá, redescobrir a paixão pela astrologia. Mas com enfâse nos nodos dessa vez. Resumindo tudo em poucas palavras, parece que minha missão aqui é construir uma família – realmente fazer parte de uma, estar dentro dela, e não do lado de fora – ou do lado de dentro sem deixar ninguém entrar. E também aprender a Fé pisciana.

Essa parte é estranha, viu? Fala sério, Hans, eu não sou a pessoa mais cheia de fé que você conhece? OK, talvez não a mais cheia... Mas enfim. Entre Foco, Força e Fé... Eu sou a Fé. E daí a interpretação do nodo lunar norte pisciano termina assim: “Quem mandou pedir: “ Meu Pai, eu quero aprender a confiar PLENAMENTE no senhor...”

Eu não confio PLENAMENTE Nele? Sempre achei que sim, e daí descubro que minha missão seria isso e... Como minha missão pode ser algo que sempre achei já ter? Deve significar que não tenho... Ou que estou entendendo tudo errado. Daí a Cecilia do blog do Yub comentou que a fé sagitariana é diferente da fé pisciana. Eu entendi o ponto, mas quando parei pra pensar bem... Eu não acho que minha fé seja tão racional assim, não estudei sobre nada ligado a Fé, pra ser sincera. Hans: SEMPRE ESTEVE COMIGO essa Fé!

É a mesma coisa quando perguntam por que eu acredito em reencarnação, e eu respondo: “Não sei, SEMPRE acreditei. Reencarnou comigo.” Até hoje, sempre achei que a minha Fé também, que essa confiança PLENA Nele também. 


Não sei, Hans. Não sei.
C.G.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

sobre ser sempre amor;

Ela vai mudar, 
Vai gostar de coisas que ele nunca imaginou
Vai ficar feliz de ver que ele também mudou
Pelo jeito não descarta uma nova paixão
Mas espera que ele ligue a qualquer hora


Só pra conversar
E perguntar se é tarde pra ligar
Dizer que pensou nela
Estava com saudade
Mesmo sem ter esquecido que


É sempre amor, mesmo que acabe
Com ela aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou

Ele vai mudar,
Escolher um jeito novo de dizer "alô"
Vai ter medo de que um dia ela vá mudar
Que aprenda a esquecer sua velha paixão
Mas evita ir até o telefone


Para conversar
Pois é muito tarde pra ligar
Tem pensado nela
Estava com saudade
Mesmo sem ter esquecido que


É sempre amor, mesmo que acabe
Com ele aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou


Para conversar
Nunca é muito tarde pra ligar
Ele pensa nela
Ela tem saudade
Mesmo sem ter esquecido que


É sempre amor, mesmo que acabe
Com ele aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou
E é isso, não é? No final das contas provei que não estava tão errada assim, Hans. Mesmo tendo esquecido o que era bom... Depois eu lembrei. E será sempre amor.  Mesmo que acabe. Que mude. Mesmo que alguém esqueça o que passou. E a maioria das pessoas não acredita ou não consegue ver isso. Parece que é mais fáci odiar e falar mal do outro, do que admitir que houve sim momentos bons, que deu certo por um tempo, que ambos erraram e que agora acabou. 

Eu amo ele.
Mas não estou mais apaixonada por ele.
Tão simples, Hans.
Mas é sempre amor.
C.G.




domingo, 6 de janeiro de 2013

sobre estar do lado de fora ou não deixar ninguém entrar;

Minhas mãos estão cansadas, não tenho mais onde me agarrar, tudo já se foi: amizade, carinho e amor. Não há mais por que lutar. Minhas mãos estão cansadas,  não vou mais lhe segurar. Vou deixar que você se vá... Procure o seu caminho: Eu aprendi andar sozinho,  isto foi a muito tempo atrás, mas ainda sei como se faz. Minhas mãos estão cansadas, não tenho mais onde me agarrar. Não vou mais lhe segurar, vou deixar que você se vá...
Eu sempre vivi a parte de tudo, sabe? Estava lembrando da minha época do colégio e... Eu era a freak nerd, magrela e sem sal. Defino sempre como "o patinho feio", por que explica muita coisa, mesmo quando ainda era criança. Sempre a parte. Sempre do lado de fora. Quando você é criança você quer entrar, e eu até entrei durante um tempo, mas fui banida pelo bulling aos doze. Você lembra. E depois quando me deixaram entrar eu já não precisava mais daquilo: não queria fazer parte do grupo. E nunca mais quis. Ainda hoje, eu não faço parte de nenhum grupo, estou do lado de fora e sozinha. Não parece meio... deprimente?

Depois dessa constatação, lembrei de uma conversa do meu irmão sobre ter dificuldade para fazer amigos, e me colocou no meio disso. Mas só hoje que fui ver que ele cometeu um erro ali: O fato de eu preferir ficar sozinha em casa não quer dizer que eu tenha dificuldade em fazer amigos: Eu sou boa nisso, quando quero. O problema - ou não! - está aí: É difícil eu querer.

Em 2011 resolvi que estava na hora de conhecer gente nova, e entrei em Beaux - bom, devagar com o andor sempre, bem mais fácil conhecer e lidar com gente através de um fórum de RPG - e conheci umas pessoas legais que talvez levarei pra vida. Talvez não. Nada é certo, você bem sabe. Mas já no final de 2011 eu descobri que aquela pessoa não era eu: rodeada por muitas pessoas, todas te tratando como amiga, como se realmente fossem... Não é meu mundo. Então, em 2012 abracei meu lado antissocial e.... Acho que não conheci ninguém novo. Não que eu lembre, no mínimo ninguém importante. E foquei na família, pelo menos posso me orgulhar disso em 2012: eu não estive do lado de fora dessa vez, não dentro da minha casa. Me envolvi em assuntos familiares que nunca tinham me importado antes.

Sabe que agora paro pra pensar e como diabos não me importei antes? E é esse o negócio todo: quando você começa a se importar... Leva pra vida. E eu não me importo muito com os outros - além do círculo fechado que é a minha família. Bitch selfisch. É, eu sei.

Um exemplo bom é, bem... Você sabe. Mesmo o tendo banido da minha vida, e não tendo mais toda aquela carga emocional desastrosa... Eu me importo. Me importei de verdade uma vez e devo levar pra vida, pelo jeito. E daí eu paro e penso, Hans: Eu deveria me importar mais com as pessoas que estão nessa vida? Será que eu consigo? 

No final das contas não é que eu sempre estive do lado de fora, Hans. Na verdade, eu sempre estive no lado de dentro, mas nunca deixei ninguém entrar. 

E não sei se quero que alguém entre. 
E enquanto isso, as portas continuam fechadas.
C.G.