Templates da Lua

a Remetente
Sabe o Grilo Falante, de Pinóquio? Talvez eu só esteja em busca da minha humanidade, e Hans seja a minha consciência gritando alto. É sempre mais fácil escrever para alguém e se você supor que a pessoa te conhece a tal ponto de compreender suas maiores loucuras e seus piores pensamentos... As palavras correm soltas. Você deveria tentar qualquer dia desses.


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Correspondências

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

sobre levar Luz;

Há de se saber que toda e qualquer vida tem valor, Hans. Uma missão. Um motivo. Uma razão para estar encarnada nesse planeta com sua dualidade. Mas tem dias como hoje que me pergunto "O que estou fazendo aqui? No que estou contribuindo? Quem estou ajudando?" Não sei nenhuma das respostas. E assim como o médico que comentou que quer morrer, - e nós já discutimos sobre o meu não querer, na hora H de tudo - eu me pergunto se vale a pena eu estar nesse mundo, respirando o ar que outra pessoa poderia querer respirar mais fervorosamente.

Não quero morrer, Hans. Superei o meu querer, por causa do medo. E também por que morrer seria egoísta demais com minha família, não merecem tal coisa. Mas quero - tão fervorosamente quanto algumas pessoas querem respirar - ter um sentido para essa vida. Não apenas trabalhar, amar e se amar, entende? "Eu sou um Portal", Hans, "O agente da compaixão", e tantos outros aspectos que meu mapa me diz:
Sol na Casa 12: A sua consciência se desenvolve por intermédio da observação da realidade invisível e através da percepção do sofrimento do mundo. Sendo particularmente sensível à dor do mundo, você tem o dom de esclarecer a escuridão, de elucidar as crises, de ajudar as pessoas a compreenderem o sentido de suas crises. Muita auto-realização é encontrada através do serviço em relação àqueles que sofrem e são marginalizados.
Lua e Plutão em harmonia: Você tem o talento de revelar aos outros perspectivas melhores a respeito de seus problemas, como se tivesse a capacidade de "ver" coisas dentro de um nível que os outros, mais superficiais, não conseguem. Possui também uma grande capacidade de renovação emocional: as dores e perdas que costumam destruir os outros apenas lhe permitem tornar-se um ser mais forte. E, assim, ensina os outros também a superarem suas dores.
Lua e Netuno em harmonia: Seu emocional altamente empático lhe permite sentir o que as outras pessoas estão sentindo, de modo que o sofrimento do mundo será também seu próprio sofrimento. Justamente por isso, as pessoas com este tipo de aspecto costumam ser mais compassivas do que o normal: para elas, a dor que se vê em torno não é apenas "algo que se vê", mas algo que elas vivenciam, ainda que indiretamente! A capacidade de percepção é mais do que fora de comum: você tem a aptidão de, conscientemente, utilizar estes dons a serviço dos outros e, com isso, acelerar seu próprio desenvolvimento espiritual.
Vênus e Netuno em harmonia:  Netuno também confere a capacidade de apreciar a beleza interior das pessoas. Um lado muito bonito deste aspecto é que você, com esta qualidade netuniana, consegue puxar o melhor lado das pessoas que você ama, e às vezes são lados que estas mesmas pessoas não têm consciência dentro de si. O lado mais sublime e elevado deste aspecto entre Vênus e Netuno sugere, além de um grande refinamento artístico, uma capacidade imensa de amor universal. A pessoa pode ser dotada de um entendimento superior da natureza humana, e ter uma compaixão incomum pelas pessoas, que nada tem de piegas.
Netuno na Casa 1: Sob um certo sentido, Carolina, você é como um grande espelho psíquico, captando as energias e impressões do ambiente. Como isso tudo vai "bater" em você, depende muito do seu nível de consciência. Você pode, num sentido positivo, ser uma espécie de bateria metabolizadora das energias e emoções ambientais, transformando tudo, reciclando e, por conseguinte, curando.[...] E você tem o dom de "anestesiar" a dor alheia, simplesmente escutando os outros, ou tocando-os. Dentro de um sentido mais humano, você, com Netuno na Casa 1, é uma pessoa dotada de uma qualidade especial de manipulação que talvez nem tenha lá muita consciência. Como Netuno é um grande espelho psíquico, as pessoas olham pra você e simplesmente vêem aquilo que elas querem ver![...] O outro lhe olha e "vê" em você algo que ele precisa ver, e simplesmente se encanta, pois é como se você sempre tivesse a resposta para tudo. Mas não é você exatamente que detém a resposta, Carolina. Você apenas a canaliza de dentro do outro, usando esta sua "qualidade de espelho". Num sentido mais elevado ainda, Carolina, é muito provável que a vida venha a lhe convocar para situações de auto-sacrifício, em que fica evidente que você precisa se doar para alguma causa que vai muito além de seus meros desejos pessoais.
Não sei, entende? Mas sei que, de alguma forma, tem algo mais para se fazer aqui, além de apenas viver. Eu sinto isso, Hans. Mas não sei exatamente o que fazer. Ou sei, e o Ego não permite.

Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
C.G.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

sobre o que já é meu, parte dois;

Que a vida é engraçada e estranha, eu já te disse várias vezes, Hans. Mas... OK, ela é. E preciso começar essa carta com essa afirmação: A vida é estranha, Hans. As pessoas são estranhas. 

Você sabe que passei os últimos meses desejando muito algo. OK, eu não falei, mas você sabia. O iceberg.Pois bem, desejei tanto e quando parece - e é um parece quase nulo, me entenda: está acontecendo aqui dentro ainda, nada lá fora - que as coisas estão caminhando para que esse desejo se realize: eu travo. Congelo. Me parece que estou indo rápido demais, quando na verdade nem saí do lugar, você me entende? 

E não é como se dependesse só de mim, não vamos esquecer essa parte. MAS. E é um grande MAS: deve começar realmente por mim. Devagar, devagar.

Eu digo: Devagar. Devagar. Com cada bem chega um mal correspondente, e a cada mal corresponde um bem. Não corram depressa demais ao encontro de um, a menos que estejam preparados para encontrar o outro. (Jung)
E é isso: Estou preparada para encontrar os dois? 


Tanto tempo sem encontrar nada, Hans.
Que venham.
C.G.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

sobre sete cidades;

Quando não estás aqui, meu espírito se perde, voa longe...

Não sei, Hans.
C.G.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

sobre estar completamente alheia;

Não sei, Hans, não sei. E tenho dito tanto isso ultimamente, que às vezes me perco e começo a acreditar que realmente não sei de nada... Hoje foi um desses dias, sabe? É estranho você pensar sobre algo de uma forma, e de repente você ver que aquela forma não era a certa... Não que eu não admita meus erros e minhas opiniões erradas, Hans, não é isso... 

Eu nunca me importei com as pessoas. E volta e meia preciso fazer um esforço danado para me importar com elas. E me esforço. Nem sempre, por que nem sempre lembro que o certo seria se importar. Você sabe. E então quando lembro que deveria, que você deve perguntar para as pessoas como elas estão, se elas resolveram aquele problema, e se querem desabafar sobre qualquer coisa... Quando lembro que eu deveria me importar: eu me sinto tremendamente egoísta, e então me esforço. Não que eu realmente me importe, entende? Mas eu tento. Sempre achei que isso era de grande valia. O esforço.

Mas hoje eu encontrei um texto - ou como os Mestres andam dizendo por aí: estava na hora de nos encontrarmos, o texto e eu - e ele jogou por terra tudo isso. Sobre o esforço, as tentativas... Que não são tão necessárias assim, que é um processo evolutivo... Você me entende? Você consegue entender e acreditar nisso? Eu ainda estou procurando essa resposta, Hans.

Bom, o texto falava sobre a ascensão, e os quatro sinais principais que indicam que se está evoluindo... Eu colei grande parte desse texto para a Jú, e brinquei dizendo que já havia nascido com os dois primeiros sinais. E nasci, Hans. Eles falam basicamente sobre a distância emocional, aquele desligamento, o desapego... "vocês são capazes de estar completamente alheios ao que está acontecendo no mundo; [...] não é fingir que algo não esteja acontecendo, mas trata-se de não permitir que o que está acontecendo afete o seu estado emocional. [...] Se acharem mais e mais difícil entrar em contato com outros, porque eles os fazem se sentir esgotados, cansados ou vocês simplesmente acham que eles não compreendem mais a sua vida".  

Você consegue ver o que eu disse, Hans? Eu nunca consegui me apegar as pessoas, e sempre me achei deslocada por isso. Parecia tão fácil para os outros se importar. E é tão fácil para mim a via contrária. Não me entenda mal, Hans... Não é que eu não goste das pessoas... Eu só normalmente não sinto absolutamente nada em relação a elas. Nada. Claro que existe aquele círculo, que aprecio, respeito, estimo. Mas ainda assim não me importo com seus problemas ou suas vidas. Não me interessa e não sou obrigada, duas afirmações que tenho dito muito quando penso sobre as pessoas.


Mas Hans, Hans, Hans...
Eu não quero ser uma ilha. Mas nasci ilha e, contraditoriamente ao meu não querer, não sinto a menor vontade de construir a ponte com o continente.
Como vou viver neste mundo sem me importar?

Essa resposta eu ainda não tenho.
C.G.


Update:
Há algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto. Era necessária tentar seriamente,uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, ecomeçar tudo novamente a fim de estabelecer um saber firme e inabalável.
DESCARTES, R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia.
São Paulo, Abril Cultural, 1973 (adaptado)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

sobre o que já é meu;

Eu realmente preciso que você e todo o Universo me deem uma forcinha, Hans. Conspirem a meu favor, por favor.

C.G.


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

sobre pseudo-realidade;

Outubro chegou, Hans. E já estamos no dia três, parece apressado. Ontem o #Limbo completou quatro anos. Sim, quatro. Como foi que esse último ano passou, que nem percebi? Na minha cabeça eram três. Talvez não tenhamos comemorado o terceiro aniversário, por isso essa brancura no meu cérebro. Bem, acho que ano passado, mais ou menos nessa época, eu andava as voltas com a pseudo-depressão (talvez não tão pseudo assim, sabemos) da minha mãe. Certamente não deu pra comemorar o aniversário.

Bom, no mais está tudo OK. Há dramas, Hans, sempre há. Passamos semanas bem, e certo dia algo precisa abalar o nosso otimismo, e assim vai indo... Estamos bem por agora. Talvez amanhã tudo já tenha virado de cabeça pra baixo. E talvez, talvez, talvez por isso que o clichê carpe diem seja tão usado por aí.

Sabe, tenho pensado muito. Coisas aleatórias e sem sentido para a maioria, mas você certamente entenderá: não tenho planejado. Sinto falta, Hans. Na verdade, o sinto é pseudo-real: não tenho sentido muitas coisas. Os dias têm passado e eu sem sentir. Só frio e calor, esses sim tem feito diferença, você bem sabe. 

Talvez seja isso, também:
Quem prova que estamos aqui pra fazer sentido;
Ser sentido; sentir qualquer coisa?
Respirar já está de bom tamanho.



Ou não.
Eu sei, Hans.
C.G.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

sobre meus pais;

Ah, Hans.
As coisas tinham melhorado, sabe? Estava tudo indo para seu devido lugar, peças se encaixando... E talvez ainda estejam, no final das contas. Só não estou conseguindo ver claramente ainda. 

Mas Hans... Meus pais estão ficando velhos e cansados, sabe? Na verdade, minha mãe está ficando velha e cansada e meu pai está ficando velho e voltando a ser criança. Hans... Vai ser difícil, entende? E conforme os anos forem passando vai ser mais difícil ainda. E quero fazer tudo por eles e pra eles, mas não posso estar em casa o tempo todo, e não posso abdicar da minha vida por eles. Ou posso? E devo? Talvez seja isso, a missão que tenho pra fazer por aqui... Acho que já comentamos sobre isso em algum momento. 

Só não sei exatamente o que fazer. Depois de quarenta e três anos de casados, os defeitos se intensificam e nublam as qualidades... E não acham mais necessário deixar de criticar para não magoar... Ah. 

E talvez, talvez, talvez, eu não devesse tomar lados, mas como eu poderia, sendo a filha, tão idêntica a minha mãe, que sou? E a entendo completamente, e concordo plenamente, mas ainda assim não sei o que fazer por ela. E não posso - por mais que queira - tratar meu pai como uma criança - tal qual ele vem agindo - e repreendê-lo chamando a atenção de que aquilo não é certo, de que não é assim que as coisas funcionam e de que SIM, é necessário abdicar do que se quer para agradar o outro pelo menos algumas vezes no ano, em prol do bom relacionamento. 

Vai ser cada vez mais difícil, Hans. E me pego pensando o que seria deles se eu, Fabíola e Ezequiel casássemos... Por que se a solidão bate com a casa cheia de filhos, neta, gata e passarinho, o que seria sem? 

Preciso de luz, Hans.
C.G.