Templates da Lua

a Remetente
Sabe o Grilo Falante, de Pinóquio? Talvez eu só esteja em busca da minha humanidade, e Hans seja a minha consciência gritando alto. É sempre mais fácil escrever para alguém e se você supor que a pessoa te conhece a tal ponto de compreender suas maiores loucuras e seus piores pensamentos... As palavras correm soltas. Você deveria tentar qualquer dia desses.


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Correspondências

segunda-feira, 28 de abril de 2014

sobre não saber de nada;

Hans! Março aconteceu, e abril está quase no fim. E algumas coisas aconteceram. Foi de uma hora pra outra - como normalmente é, você percebe? Eu planejo tudo certinho, e não dá certo. De repente, do nada, depois de um telefonema, uma decisão... Acontece. Sempre é assim comigo. O curso é bom. Eu gosto, estou gostando... MAS. E sempre há o mas: não sei nada sobre o futuro e não sei se esse não saber é bom, - afinal, irá acontecer tudo de repente mesmo - ou se eu deveria planejar um pouco... Pelo menos um plano B?

Sinto que estou com o freio de mão puxado, é isso. Como se a overdose de expectativas que tive em 2010 agora me fizessem olhar desconfiada para qualquer mínima expectativa que aparece. Continuo achando tudo muito estranho. Ainda não sei o que realmente estou fazendo "aqui" - mas agora pelo menos ESTOU FAZENDO algo. É uma sensação um pouco melhor. "Que eu não saiba aonde ir é compreensível, desde que eu tente ir, de qualquer maneira." Mais ou menos isso, sabe?

Ps.: Quando eu disse que precisava de uma forcinha, eu não tinha exatamente isso em mente, mas... foi melhor ainda, obrigada ♥

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

sobre acreditar nas mudanças;



Minha família nunca foi do tipo religiosa. Na verdade, lembro bem de aos sete, oitos anos, escutar minha mãe dizer que não acreditava em Deus. Com menos de uma década, eu não entendia que aquilo era só uma forma de demonstrar sua raiva para o mundo, pela morte repentina de seu pai. Levei aquelas palavras comigo por um tempo. Era criança e se minha mãe não acreditava em Deus, bom... “God Who?” Mais ou menos na mesma época (o que não precisa significar o mesmo ano e idade)  – preciso explicar um dia que minha forma de contar épocas é pelas casas que morei – eu e meu pai tivemos uma visita “diferente”. Não o vimos, só sentimos seu cheiro. Lembro de não ter duvidado do que (e de quem) era em nenhum momento. 


E por que estou falando isso, Hans? Por que eu “não acreditava em Deus” na minha forma de criança que leva as coisas ao pé da letra, mas acreditava em espíritos e vida depois da morte. As duas coisas eram reais para mim. Claro que eu cresci, e em algum momento confrontei minha mãe sobre sua não crença em Deus, e ela perguntou de onde eu havia tirado aquela ideia. Acho que entendi muitas coisas naquele dia. Falamos muito, Hans. E acreditamos em muitas outras coisas. E aquilo é real? Sim. Enquanto acreditamos, aquilo se torna a nossa realidade. Mas mudamos, entende? Ainda bem, concordo, mas isso tem me ocupado os pensamentos ultimamente. Até que ponto ainda mudaremos? O que nos tornaremos no futuro? Serão todas essas mudanças, benéficas? Acreditamos que sim, tenho certeza. Mas não podemos ter certeza de nada.


E tudo isso, Hans, é para que você entenda que nem eu mesma entendi como, quando, porquê mudei de ideia sobre o futuro. Quando comentavam antes, eu repelia a ideia. “Não é pra mim”, pensava. Mas mudei de ideia sobre tantas coisas – como sair da Saúde, por exemplo – então por que não mudaria de ideia sobre isso também? 


Mas acho estranho, confesso. Palavras que antes não faziam sentido nenhum, agora são relembradas com a ideia de que fazem todo o sentido do mundo. Quando começamos a mudar, Hans? E por que isso me intriga tanto, se durante tanto tempo me considerei uma metamorfose ambulante? Qual o problema em não estar na linha reta todo tempo, Hans? Se afinal, sendo linha, chegarei a algum ponto, em algum momento?


Justo eu, que sempre fui de acreditar, Hans.
Talvez esteja na hora de acreditar em mim.
C.G.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

sobre a vida ser estranhamente fantástica;

Hans, Hans, Hans! Estamos em 2014, e felizes, e planejando e sabendo que teremos um ótimo ano pela frente. Um estranhamente fantástico ano, na verdade. Ah, Hans.

Hoje eu soube. E confesso que me espantei por alguns segundos, mas foi só isso: um espanto normal, ao saber de uma novidade inesperada. Foi bom, entende? O ciclo fechou, de-fi-ni-ti-va-men-te. Estive relendo minhas expectativas para dois mil e treze, e... Bom, Marceli havia morrido, eu estava preocupada com o quesito profissional... Eu não queria sair da Saúde! HAHA E naquela ano eu DECIDI sair da Saúde. Oh vida. Tão estranhamente fantástica, né? Oh sim, eu vou usar essa expressão muitas vezes agora, por que é a VERDADE. 

Enfim: 2014 e meu primeiro ano na Administração. Estou esperando o resultado do ENEM. E... Just it. Nothing more. Adianta planejar além? A vida MUDA, Hans. Gosh, como muda... Em dez meses... Você viu? 

Foi quase como um sopro de vida, entende?
As coisas acontecem de uma hora para outra, Hans.


Com qualquer um.
Vamos aproveitar o máximo que pudermos.
C.G.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

sobre levar Luz;

Há de se saber que toda e qualquer vida tem valor, Hans. Uma missão. Um motivo. Uma razão para estar encarnada nesse planeta com sua dualidade. Mas tem dias como hoje que me pergunto "O que estou fazendo aqui? No que estou contribuindo? Quem estou ajudando?" Não sei nenhuma das respostas. E assim como o médico que comentou que quer morrer, - e nós já discutimos sobre o meu não querer, na hora H de tudo - eu me pergunto se vale a pena eu estar nesse mundo, respirando o ar que outra pessoa poderia querer respirar mais fervorosamente.

Não quero morrer, Hans. Superei o meu querer, por causa do medo. E também por que morrer seria egoísta demais com minha família, não merecem tal coisa. Mas quero - tão fervorosamente quanto algumas pessoas querem respirar - ter um sentido para essa vida. Não apenas trabalhar, amar e se amar, entende? "Eu sou um Portal", Hans, "O agente da compaixão", e tantos outros aspectos que meu mapa me diz:
Sol na Casa 12: A sua consciência se desenvolve por intermédio da observação da realidade invisível e através da percepção do sofrimento do mundo. Sendo particularmente sensível à dor do mundo, você tem o dom de esclarecer a escuridão, de elucidar as crises, de ajudar as pessoas a compreenderem o sentido de suas crises. Muita auto-realização é encontrada através do serviço em relação àqueles que sofrem e são marginalizados.
Lua e Plutão em harmonia: Você tem o talento de revelar aos outros perspectivas melhores a respeito de seus problemas, como se tivesse a capacidade de "ver" coisas dentro de um nível que os outros, mais superficiais, não conseguem. Possui também uma grande capacidade de renovação emocional: as dores e perdas que costumam destruir os outros apenas lhe permitem tornar-se um ser mais forte. E, assim, ensina os outros também a superarem suas dores.
Lua e Netuno em harmonia: Seu emocional altamente empático lhe permite sentir o que as outras pessoas estão sentindo, de modo que o sofrimento do mundo será também seu próprio sofrimento. Justamente por isso, as pessoas com este tipo de aspecto costumam ser mais compassivas do que o normal: para elas, a dor que se vê em torno não é apenas "algo que se vê", mas algo que elas vivenciam, ainda que indiretamente! A capacidade de percepção é mais do que fora de comum: você tem a aptidão de, conscientemente, utilizar estes dons a serviço dos outros e, com isso, acelerar seu próprio desenvolvimento espiritual.
Vênus e Netuno em harmonia:  Netuno também confere a capacidade de apreciar a beleza interior das pessoas. Um lado muito bonito deste aspecto é que você, com esta qualidade netuniana, consegue puxar o melhor lado das pessoas que você ama, e às vezes são lados que estas mesmas pessoas não têm consciência dentro de si. O lado mais sublime e elevado deste aspecto entre Vênus e Netuno sugere, além de um grande refinamento artístico, uma capacidade imensa de amor universal. A pessoa pode ser dotada de um entendimento superior da natureza humana, e ter uma compaixão incomum pelas pessoas, que nada tem de piegas.
Netuno na Casa 1: Sob um certo sentido, Carolina, você é como um grande espelho psíquico, captando as energias e impressões do ambiente. Como isso tudo vai "bater" em você, depende muito do seu nível de consciência. Você pode, num sentido positivo, ser uma espécie de bateria metabolizadora das energias e emoções ambientais, transformando tudo, reciclando e, por conseguinte, curando.[...] E você tem o dom de "anestesiar" a dor alheia, simplesmente escutando os outros, ou tocando-os. Dentro de um sentido mais humano, você, com Netuno na Casa 1, é uma pessoa dotada de uma qualidade especial de manipulação que talvez nem tenha lá muita consciência. Como Netuno é um grande espelho psíquico, as pessoas olham pra você e simplesmente vêem aquilo que elas querem ver![...] O outro lhe olha e "vê" em você algo que ele precisa ver, e simplesmente se encanta, pois é como se você sempre tivesse a resposta para tudo. Mas não é você exatamente que detém a resposta, Carolina. Você apenas a canaliza de dentro do outro, usando esta sua "qualidade de espelho". Num sentido mais elevado ainda, Carolina, é muito provável que a vida venha a lhe convocar para situações de auto-sacrifício, em que fica evidente que você precisa se doar para alguma causa que vai muito além de seus meros desejos pessoais.
Não sei, entende? Mas sei que, de alguma forma, tem algo mais para se fazer aqui, além de apenas viver. Eu sinto isso, Hans. Mas não sei exatamente o que fazer. Ou sei, e o Ego não permite.

Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
C.G.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

sobre o que já é meu, parte dois;

Que a vida é engraçada e estranha, eu já te disse várias vezes, Hans. Mas... OK, ela é. E preciso começar essa carta com essa afirmação: A vida é estranha, Hans. As pessoas são estranhas. 

Você sabe que passei os últimos meses desejando muito algo. OK, eu não falei, mas você sabia. O iceberg.Pois bem, desejei tanto e quando parece - e é um parece quase nulo, me entenda: está acontecendo aqui dentro ainda, nada lá fora - que as coisas estão caminhando para que esse desejo se realize: eu travo. Congelo. Me parece que estou indo rápido demais, quando na verdade nem saí do lugar, você me entende? 

E não é como se dependesse só de mim, não vamos esquecer essa parte. MAS. E é um grande MAS: deve começar realmente por mim. Devagar, devagar.

Eu digo: Devagar. Devagar. Com cada bem chega um mal correspondente, e a cada mal corresponde um bem. Não corram depressa demais ao encontro de um, a menos que estejam preparados para encontrar o outro. (Jung)
E é isso: Estou preparada para encontrar os dois? 


Tanto tempo sem encontrar nada, Hans.
Que venham.
C.G.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

sobre sete cidades;

Quando não estás aqui, meu espírito se perde, voa longe...

Não sei, Hans.
C.G.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

sobre estar completamente alheia;

Não sei, Hans, não sei. E tenho dito tanto isso ultimamente, que às vezes me perco e começo a acreditar que realmente não sei de nada... Hoje foi um desses dias, sabe? É estranho você pensar sobre algo de uma forma, e de repente você ver que aquela forma não era a certa... Não que eu não admita meus erros e minhas opiniões erradas, Hans, não é isso... 

Eu nunca me importei com as pessoas. E volta e meia preciso fazer um esforço danado para me importar com elas. E me esforço. Nem sempre, por que nem sempre lembro que o certo seria se importar. Você sabe. E então quando lembro que deveria, que você deve perguntar para as pessoas como elas estão, se elas resolveram aquele problema, e se querem desabafar sobre qualquer coisa... Quando lembro que eu deveria me importar: eu me sinto tremendamente egoísta, e então me esforço. Não que eu realmente me importe, entende? Mas eu tento. Sempre achei que isso era de grande valia. O esforço.

Mas hoje eu encontrei um texto - ou como os Mestres andam dizendo por aí: estava na hora de nos encontrarmos, o texto e eu - e ele jogou por terra tudo isso. Sobre o esforço, as tentativas... Que não são tão necessárias assim, que é um processo evolutivo... Você me entende? Você consegue entender e acreditar nisso? Eu ainda estou procurando essa resposta, Hans.

Bom, o texto falava sobre a ascensão, e os quatro sinais principais que indicam que se está evoluindo... Eu colei grande parte desse texto para a Jú, e brinquei dizendo que já havia nascido com os dois primeiros sinais. E nasci, Hans. Eles falam basicamente sobre a distância emocional, aquele desligamento, o desapego... "vocês são capazes de estar completamente alheios ao que está acontecendo no mundo; [...] não é fingir que algo não esteja acontecendo, mas trata-se de não permitir que o que está acontecendo afete o seu estado emocional. [...] Se acharem mais e mais difícil entrar em contato com outros, porque eles os fazem se sentir esgotados, cansados ou vocês simplesmente acham que eles não compreendem mais a sua vida".  

Você consegue ver o que eu disse, Hans? Eu nunca consegui me apegar as pessoas, e sempre me achei deslocada por isso. Parecia tão fácil para os outros se importar. E é tão fácil para mim a via contrária. Não me entenda mal, Hans... Não é que eu não goste das pessoas... Eu só normalmente não sinto absolutamente nada em relação a elas. Nada. Claro que existe aquele círculo, que aprecio, respeito, estimo. Mas ainda assim não me importo com seus problemas ou suas vidas. Não me interessa e não sou obrigada, duas afirmações que tenho dito muito quando penso sobre as pessoas.


Mas Hans, Hans, Hans...
Eu não quero ser uma ilha. Mas nasci ilha e, contraditoriamente ao meu não querer, não sinto a menor vontade de construir a ponte com o continente.
Como vou viver neste mundo sem me importar?

Essa resposta eu ainda não tenho.
C.G.


Update:
Há algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto. Era necessária tentar seriamente,uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, ecomeçar tudo novamente a fim de estabelecer um saber firme e inabalável.
DESCARTES, R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia.
São Paulo, Abril Cultural, 1973 (adaptado)