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a Remetente
Sabe o Grilo Falante, de Pinóquio? Talvez eu só esteja em busca da minha humanidade, e Hans seja a minha consciência gritando alto. É sempre mais fácil escrever para alguém e se você supor que a pessoa te conhece a tal ponto de compreender suas maiores loucuras e seus piores pensamentos... As palavras correm soltas. Você deveria tentar qualquer dia desses.


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Correspondências

segunda-feira, 3 de abril de 2017

sobre não suportar mais a faculdade;

Eu não havia realmente parado para pensar sobre escrever isso antes de agora, Hans. Mas acho que vale deixar registrado o sentimento que me assola, assim como deixei tantos outros e que agora já não possuem o mesmo significado.
        Não lembro se cheguei a comentar o motivo que me fez entrar para aquele (esse!) curso. Confesso que nem tenho certeza se o motivo que acredito que seja verdadeiro seja realmente o verdadeiro. Acho que quis sacudir a poeira, sair da zona de conforto, me obrigar a lidar com pessoas e, consequentemente, fazer novas amizades. Talvez eu não imaginasse que poderia dar tão errado. OK, eu fui obrigada a lidar com novas pessoas e, de certa forma, fiz novas amizades. Me conhecendo o suficiente, sabemos que não serão amizades que levarei para a vida, pelo simples fato de que não existe esse tipo de amizade na minha vida como uma constante. Não sinto esse tipo de apego.
        No início era um desconforto. E um pouco de enjoo no ônibus. Depois do primeiro semestre, ambos passaram. O segundo foi de boa, sinceramente pouco me lembro dele. Mas o terceiro foi horrível. E você sabe, depois que a coisa desanda, não há o que me faça ver com bons olhos novamente. E assim foi, o encanto se perdeu, as amizades aumentaram – nada como ter inimigos em comum para unir uma turma! – mas o estresse tomou conta. Eu quase desisti – e foi a runa e o FIES que não me deixaram! – mas cá estou, faltando sessenta e sete dias para terminar o sétimo semestre e me ver livre dessa faculdade horrível.
Esse semestre está sendo difícil, Hans. Todo tipo de fobia voltou, inclusive o enjoo no ônibus – efeito psicológico do meu desgosto. Eu não suporto mais ir até lá e estar lá. E nunca fui de esconder certos sentimentos, então também não tenho sido a acadêmica mais agradável... Não me orgulho, mas também não posso evitar. 

O mau humor não modifica a vida, dizia Chico Xavier, mas serão sessenta e sete dias infernais e eu preciso passar por eles de qualquer forma. 
Que assim seja.
C.G.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

sobre os quase trinta;



Me peguei esses dias pensando que, chegando agora aos vinte e oito, estou com quase trinta. Idade em que, nos noticiários, qualquer uma já é tratada como mulher, e não mais como jovem. Mas me sinto jovem, a realidade dos quase trinta parece tão distante, apesar de faltar apenas dois. Com quase trinta, minha mãe já estava grávida do quarto filho. A primogênita já havia casado, se mudado para a Europa e, se não me engano, se divorciado e já era mãe de três. Minha outra irmã já era mãe também. 

E eu? Ainda posto diariamente fotos do look do dia no Instagram. Tenho um cargo público, mas sinceramente, o Universo me deu ele sem nenhum esforço da minha parte. Diferente das outras mulheres da minha família, minha gestação é de sete semestres, e meu filho é um curso que não exige nada da minha capacidade intelectual. Não tive nenhum relacionamento duradouro, apesar de todos terem deixado suas cicatrizes profundas o suficiente para que eu desistisse de vez. Os poucos amigos que tenho, em sua maioria, estão distante geograficamente, e, levando em consideração que não sei lidar com pessoas muito próximas, é esse o fato que tem mantido nossa amizade de anos. Com quase trinta, sinto que não realizei nada. Ainda moro com meus pais, e não pretendo sair de lá tão cedo... Na verdade, metade dela me pertence, está comprovado na escritura, então porque deveria me apressar em sair da minha casa?

Com quase trinta, vivo uma vida relativamente boa e feliz. Mas ainda assim, sinto que tenho desperdiçado tempo. Por outro lado, parece que não tenho desperdiçado sozinha. Talvez seja o mal da geração dos anos 80/início dos 90, que não percebe o passar do tempo, e vê agora a geração seguinte nos alcançando e se realizando.

Com quase trinta, não vejo absolutamente nenhum tipo de mudança me alcançando e, a não ser que o retorno de Saturno chegue e vire tudo de pernas para o ar, parece que continuarei catalogando meus looks, sendo servidora pública, morando com meus pais e tendo um diploma inútil na gaveta. Não me leve a mal, eu gosto da minha vida, se paro para pensar nela, não há mais nada que eu poderia desejar – a não ser, claro, o desejo da maioria das pessoas de ter milhões na conta e viajar o mundo despreocupadamente - mas existe aquela sensação...



Com quase trinta eu não fiz nada.
Com quase trinta eu não faço a mínima ideia do que fazer.
C.G.